Desglobalização é um termo que ganhou força depois da pandemia e das tensões geopolíticas recentes. Danilo Regis Fernandes Pinto aponta que a dúvida não é apenas se o mundo está “voltando atrás”, mas sim como o comércio e a produção estão se reorganizando. Isso porque, por décadas, a globalização foi vista como caminho natural. Empresas buscavam produzir onde fosse mais barato. E consumidores se acostumaram a preços menores e cadeias longas.
Agora, o cenário parece diferente. Há mais disputas comerciais, mais protecionismo e mais preocupação com segurança econômica. Ainda assim, afirmar que a globalização acabou pode ser exagero. Por isso, vale analisar com calma se a desglobalização é mito ou realidade.
Desglobalização e o que realmente mudou nas cadeias globais
Desglobalização virou palavra-chave porque as cadeias globais sofreram choques importantes. A pandemia travou portos e fábricas. Depois, conflitos e sanções aumentaram incertezas. Assim, empresas perceberam que depender de poucos fornecedores é perigoso.
Segundo Danilo Regis Fernando Pinto, o que está acontecendo é uma mudança de lógica. Antes, eficiência era prioridade absoluta. Agora, resiliência ganhou espaço. Portanto, muitas empresas passaram a diversificar fornecedores. E também buscar produção mais próxima do consumidor.
Esse movimento é chamado de nearshoring e friendshoring. Ele não elimina o comércio global. Porém, reduz concentração em regiões específicas. Assim, parte da produção migra para locais considerados mais estáveis.
Ao mesmo tempo, isso aumenta custos em alguns setores. Portanto, a reorganização não é neutra. Ela afeta preços, investimentos e competitividade.
Protecionismo, tarifas e a disputa por tecnologia
Desglobalização também aparece na política industrial. Muitos países passaram a proteger setores estratégicos. Isso inclui semicondutores, energia, defesa e tecnologia. Conforme Danilo Regis Fernandes Pinto, essa tendência é resposta a um mundo mais competitivo e menos previsível. Assim, governos querem reduzir dependência externa.
Tarifas e restrições comerciais voltaram a ser usadas como ferramenta. Além disso, há barreiras regulatórias e exigências ambientais. Portanto, o comércio internacional continua, mas com mais regras e filtros.
A disputa tecnológica é outro ponto central. Países buscam controlar cadeias críticas e dados. Assim, a globalização se fragmenta em blocos. Isso não significa isolamento completo. Porém, significa um comércio mais seletivo e politizado.

Esse cenário afeta empresas que operam globalmente. Elas precisam adaptar estratégias, revisar fornecedores e lidar com riscos regulatórios. Portanto, a gestão ficou mais complexa.
Desglobalização é queda do comércio ou mudança de rota?
Desglobalização, na prática, não significa que o comércio mundial parou. O que se observa é uma mudança de rota e de prioridade. De acordo com Danilo Regis Fernando Pinto, o mundo ainda depende de trocas internacionais. Afinal, nenhum país produz tudo com eficiência.
O que muda é a forma como as empresas calculam risco. Antes, o foco era custo mínimo. Agora, entra na conta a estabilidade política, a segurança logística e a previsibilidade regulatória. Assim, algumas cadeias ficam mais curtas. E outras se diversificam.
Além disso, serviços digitais continuam globalizados. Tecnologia, software e plataformas cruzam fronteiras com facilidade. Portanto, a globalização não se limita a contêineres e navios. Ela também está em dados e serviços.
Por isso, falar em “fim da globalização” pode ser simplificação. O mais correto é falar em reconfiguração.
Impactos no Brasil: riscos e oportunidades
Desglobalização pode afetar o Brasil de duas formas. Primeiro, pela demanda por commodities. Se o mundo cresce menos, exportações podem cair. Assim, o país perde receita externa. Por outro lado, a busca por diversificação de fornecedores pode abrir espaço.
Conforme Danilo Regis Fernandes Pinto, o Brasil pode se posicionar como alternativa em setores específicos. Agronegócio, mineração e energia renovável são áreas com potencial. Além disso, o país tem mercado interno grande. Isso atrai investimento, mesmo em cenários instáveis.
No entanto, para capturar oportunidades, o Brasil precisa reduzir gargalos. Infraestrutura, custo de capital e burocracia ainda pesam. Portanto, a desglobalização não garante ganhos automáticos. Ela apenas cria uma janela.
Outro ponto é a exigência ambiental. Mercados mais regulados pedem rastreabilidade e padrões de sustentabilidade. Assim, exportadores precisam se adaptar. Caso contrário, podem perder espaço.
Desglobalização não é ruptura, é transição
Desglobalização não parece ser um retorno ao isolamento econômico do passado. Em vez disso, ela indica uma transição. O mundo continua integrado, mas com mais cautela, mais blocos e mais disputa por autonomia.
De acordo com Danilo Regis Fernando Pinto, o movimento atual é menos sobre “fechar fronteiras” e mais sobre reduzir vulnerabilidades. Assim, cadeias globais ficam mais resilientes, porém mais caras e complexas. No fim, a desglobalização não é mito. Mas também não é um fim. É uma reorganização do jogo global.
Autor: Charlotte Harris

