Paulo Roberto Gomes Fernandes analisa o desempenho da Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba como um indicador concreto da maturidade da cadeia brasileira de processamento de gás natural. Em 2023, a planta registrou produção anual recorde de GLP, com quase 700 mil metros cúbicos, volume equivalente a mais de 360 mil toneladas. Em termos práticos, trata-se de quantidade suficiente para abastecer milhões de botijões de gás de cozinha ao longo do ano, reforçando o papel estratégico da unidade no suprimento nacional.
O resultado não surgiu de forma isolada. Meses antes, a instalação já havia alcançado o maior volume mensal de sua história e superado marcas anteriores de processamento. Nesse mesmo período, a participação do gás proveniente do pré-sal ultrapassou dois terços do total tratado diariamente, dado que revela não apenas expansão quantitativa, mas também melhor aproveitamento de correntes com características mais favoráveis à geração de derivados.
O que explica o salto de produção em 2023?
O desempenho está associado à combinação entre ajustes operacionais mais refinados e melhor utilização das frações de hidrocarbonetos de cadeia mais longa. Na prática, trabalhar com gás de composição mais adequada à formação de GLP permite elevar rendimento sem comprometer segurança ou estabilidade da planta. Conforme detalha Paulo Roberto Gomes Fernandes, a eficiência não depende apenas do volume recebido, mas da calibração de parâmetros, controle de temperatura, pressão e separação adequada das frações.
Entretanto, o processamento em terra faz parte de um sistema mais amplo. O gás natural produzido em plataformas offshore percorre longas distâncias por meio de dutos até alcançar a costa. Qualquer interrupção nesse trajeto impacta diretamente o desempenho da unidade. Paulo Roberto Gomes Fernandes observa que a confiabilidade do transporte é elemento central para sustentar recordes de produção, pois garante fluxo contínuo e previsível de matéria-prima.
A travessia da Serra do Mar e sua relevância estratégica
Entre os trechos mais sensíveis do escoamento está a travessia da Serra do Mar, realizada por meio de um túnel de aproximadamente cinco quilômetros de extensão e diâmetro reduzido. A solução foi considerada inovadora à época de sua implantação, pois permitiu superar obstáculo geográfico relevante com menor impacto ambiental e maior controle de prazo. Sob a perspectiva de Paulo Roberto Gomes Fernandes, decisões de engenharia tomadas anos atrás se refletem diretamente na capacidade atual de manter alto nível de processamento.
Sem esse corredor subterrâneo, alternativas logísticas poderiam exigir intervenções mais complexas e custosas. A robustez da travessia garante estabilidade operacional e reduz riscos associados a condições climáticas e limitações topográficas. Dessa forma, o recorde registrado em 2023 pode ser interpretado como consequência de planejamento estrutural consistente e integração eficiente entre infraestrutura offshore e instalações terrestres.

Como a integração logística potencializa o valor do gás processado?
Após o tratamento, o gás é fracionado em três correntes principais. A parcela mais leve segue como gás natural para a malha de distribuição, atendendo setores industrial, comercial e residencial. O GLP é direcionado sobretudo ao mercado doméstico, mantendo papel essencial na matriz energética das famílias brasileiras. Já a fração mais pesada, conhecida como C5+, é encaminhada para a refinaria no Vale do Paraíba, onde passa por processamento adicional.
Paulo Roberto Gomes Fernandes informa que essa integração entre unidade de tratamento, gasodutos e oleodutos reduz perdas e maximiza o valor econômico de cada fração. O encadeamento eficiente das etapas assegura que o produto final alcance o destino adequado com menor custo logístico e maior previsibilidade de abastecimento.
Capacidade instalada e perspectivas de continuidade
A unidade possui capacidade para processar até 20 milhões de metros cúbicos por dia, posicionando-se entre as mais relevantes do país. O insumo chega de plataformas localizadas a mais de cem quilômetros da costa, é tratado em terra e redistribuído para diferentes regiões. Em um cenário de crescente participação do pré-sal e demanda constante por derivados, a estabilidade operacional torna-se fator determinante.
Por fim, Paulo Roberto Gomes Fernandes examina que o resultado de 2023 reforça a importância de manutenção contínua, modernização tecnológica e aprimoramento de processos. A combinação entre infraestrutura bem planejada e operação ajustada às características da matéria-prima sustenta a segurança energética e contribui para a regularidade do abastecimento nacional.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

