Entre a colheita e a gôndola, frutas e verduras passam por caminhões, centrais de abastecimento, câmaras frias e reposição nas lojas, e Elias Assum Sabbag Junior, especialista em embalagens plásticas, lembra que em cada uma dessas etapas a caixa utilizada pode preservar ou comprometer o alimento. Amassados, aquecimento da carga e contaminação estão entre os efeitos de um acondicionamento inadequado.
Produtos frescos mantêm-se viáveis mesmo após a colheita. Esses organismos respiram, perdem água e liberam calor. Ademais, há um acentuamento do metabolismo quando há abafamento, compressão ou exposição a variações de temperatura. Portanto, a embalagem interfere diretamente no tempo de validade do produto, principalmente em trajetos longos.
O que a caixa precisa fazer pelo alimento?
A primeira função é proteger contra a compressão. O transporte do hortifrúti é realizado em pilhas de caixas, sendo que aquelas que cedem sob o peso das camadas superiores transferem a carga para os produtos da base. Essa transferência de peso pode ocasionar lesões nos produtos, que nem sempre são aparentes durante a expedição, mas que surgem dias depois na forma de manchas e pontos de apodrecimento.
A ventilação constitui a segunda exigência. Aberturas estrategicamente posicionadas permitem que o ar frio das câmaras alcance o centro da carga e que o calor gerado pela respiração dos alimentos seja dissipado. A ausência de circulação resulta na formação de pontos quentes, que aceleram o amadurecimento e reduzem a vida útil de lotes inteiros.
O comportamento da caixa diante da umidade completa esse quadro. Elias Assum Sabbag Junior explica que o trajeto tende a ficar úmido devido à umidade gerada por câmaras frias e a transpiração dos alimentos. A embalagem deve ser resistente a essas condições para garantir proteção e ventilação até o destino final.

Em sua avaliação, Elias Assum Sabbag Junior destaca que a terceira exigência, a higiene, adquiriu maior relevância nas cadeias de abastecimento. Caixas com superfície porosa, difíceis de lavar, acumulam resíduos e umidade. Isso pode levar ao aparecimento de fungos e bactérias que se espalham de um lote para outro.
Como plástico corrugado e papelão se comportam em diferentes condições de uso?
A madeira apresenta resistência, porém sua superfície é porosa, o que torna difícil sua higienização e pode ocasionar ferimentos em alimentos de casca fina. O papelão é leve e apropriado para remessas de uso único. No entanto, ele pode perder rigidez quando exposto à umidade típica das câmaras frias e à transpiração dos próprios produtos.
As caixas plásticas oferecem uma solução para essas limitações, pois não absorvem água e permitem a lavagem entre os usos. Em sua análise, o empresário Elias Assum Sabbag Junior pontua que, nesse grupo, as versões em plástico corrugado com alvéolos fechados evitam o acúmulo de sujeira nos canais internos da chapa, ponto sensível em embalagens que voltam várias vezes ao campo.
A escolha, porém, depende também do produto. As plantas folhosas exigem ventilação intensa e pouca altura de camada; as frutas de casca fina pedem paredes lisas e boa resistência ao empilhamento; os tubérculos suportam mais peso, mas sofrem com a umidade retida. Uma única caixa atende mal a todos esses perfis, e padronizar sem considerar as diferenças costuma transferir as perdas de um produto para outro.
Elias Assum Sabbag Junior indica que a dimensão da caixa influencia a quantidade de manuseio. Embalagens adequadas ao pallet e ao veículo reduzem a necessidade de reacomodação durante o percurso, e cada movimentação evitada significa menos impactos sobre alimentos sensíveis.
Perdas que começam antes da gôndola
O desperdício de frutas e verduras, atribuído ao varejo e ao consumidor, tem origem nas etapas anteriores, quando o alimento ainda está na caixa. Danos de compressão, aquecimento e contaminação se acumulam ao longo do trajeto e somente se tornam visíveis no momento da venda, quando se torna inviável a recuperação dos mesmos.
A revisão da embalagem representa uma ação que pode ser tomada pelos produtores e distribuidores para mitigar perdas, sem a necessidade de mudanças no cultivo ou no varejo. Em uma cadeia de margens estreitas, o alimento preservado na caixa é uma receita que chega ao destino em vez de seguir para o descarte.

