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Home»Política»Governo proíbe bets no Brasil, mas medida ainda depende de análise do Congresso
Política outubro 6, 2026

Governo proíbe bets no Brasil, mas medida ainda depende de análise do Congresso

Redação Jornal 0 HoraPor Redação Jornal 0 Horaoutubro 6, 2026Nenhum comentário4 Mins de leitura
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Vista do Congresso Nacional, em Brasília, sob um céu com nuvens.
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O governo federal editou, em 25 de setembro de 2026, a Medida Provisória nº 1.393/2026, que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. A medida alcança as chamadas bets, incluindo apostas esportivas e jogos online disponibilizados em ambientes físicos e virtuais. Apesar de já produzir efeitos, o texto ainda precisa ser analisado pelo Congresso Nacional.

Segundo o Ministério da Saúde, a decisão também abrange autorizações concedidas por estados e pelo Distrito Federal. Na prática, a MP estabelece uma mudança nacional no tratamento das apostas de quota fixa e interrompe o modelo de exploração que vinha sendo organizado por autorizações e regras específicas.

Medida tem efeito imediato, mas depende do Congresso

A edição de uma medida provisória permite que o governo produza efeitos imediatos, mas não transforma o texto em uma decisão legislativa definitiva. Conforme informou o Senado Notícias em 28 de setembro, a MP seguirá para apreciação da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Durante a tramitação, os parlamentares poderão manter o conteúdo apresentado pelo Executivo, promover alterações ou rejeitar a medida. A validade da proibição das bets no Brasil, portanto, permanece vinculada ao processo constitucional de análise das medidas provisórias. O acompanhamento do texto no Legislativo será decisivo para definir a permanência das regras no longo prazo.

A legislação disponibilizada pelo Senado Federal registra a Medida Provisória nº 1.393, de 25 de setembro de 2026. O texto integra um pacote anunciado pelo governo que também envolve medidas de proteção a famílias endividadas e ações voltadas à fiscalização de plataformas, pagamentos e publicidade relacionados às apostas ilegais.

Cronograma prevê resgate de valores e bloqueio de sites

O governo definiu um calendário para a transição. Os apostadores terão até 5 de outubro de 2026 para solicitar o resgate de valores remanescentes nas plataformas. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão ser bloqueados, conforme as informações divulgadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O cronograma também prevê que a devolução dos saldos pelas instituições financeiras ocorra entre 9 e 14 de outubro. Para isso, as empresas deverão fornecer informações individualizadas por CPF. A previsão envolve a atuação coordenada de plataformas, bancos e demais instituições responsáveis pelo processamento dos pagamentos, além de órgãos públicos encarregados da fiscalização.

A medida alcança não apenas as empresas que oferecem apostas, mas também atividades relacionadas à divulgação, à intermediação e aos meios de pagamento. Entre os órgãos citados no pacote estão a Polícia Federal, o Banco Central, a Receita Federal, a Agência Nacional de Telecomunicações e a Advocacia-Geral da União. Cada instituição poderá atuar dentro de suas atribuições para impedir a operação de serviços considerados ilegais.

Governo anuncia projeto sobre crimes e renegociação de dívidas

Além da medida provisória, o Executivo encaminhou um projeto de lei destinado a tipificar crimes relacionados à exploração e à divulgação de apostas ilegais. A proposta também trata da facilitação financeira dessas atividades e do fornecimento de aplicações de internet utilizadas para viabilizar o mercado proibido. O projeto ainda deverá seguir a tramitação própria no Congresso Nacional.

O pacote anunciado pelo governo inclui ainda o Desenrola Brasil 3.0, voltado à renegociação de dívidas de pessoas físicas inadimplentes. De acordo com o Ministério da Justiça, o programa pretende alcançar até R$ 150 bilhões em dívidas, com descontos estimados em pelo menos 90%. A iniciativa foi apresentada em conjunto com a proibição das bets e está associada à preocupação com o endividamento das famílias.

Com a MP em vigor, o cenário passa a depender de duas frentes: a execução imediata do bloqueio e do resgate de valores e a análise política e jurídica do Congresso. Até que os deputados e senadores concluam a apreciação, a proibição das bets no Brasil deve ser tratada como uma medida vigente, porém sujeita às decisões do processo legislativo.

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