Copom promove novo corte de juros e leva a Selic para 13,75% ao ano, mantendo a sequência de reduções iniciada nas reuniões anteriores do Banco Central.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, decidiu nesta quarta-feira (16) reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, levando o indicador de 14% para 13,75% ao ano. A decisão foi tomada por unanimidade entre os membros do comitê e representa o quinto corte consecutivo na taxa desde o início do atual ciclo de flexibilização monetária, iniciado em março deste ano.
O movimento estava amplamente previsto pelo mercado financeiro. Segundo levantamento da Projeções Broadcast, 75 das 78 instituições consultadas antecipavam justamente esse corte de 0,25 ponto percentual, em linha com a mediana apresentada na edição mais recente do Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com economistas do mercado. Antes do início do ciclo de cortes, a Selic havia permanecido em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses seguidos, entre junho de 2025 e março de 2026.
Um dos fatores que abriram espaço para a continuidade da redução dos juros foi a trajetória recente da inflação. O IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, registrou deflação de 0,32% em agosto e acumulou alta de 4,22% em 12 meses. O Boletim Focus divulgado em 14 de setembro trouxe nova redução na projeção para o IPCA de 2026, de 5% para 4,90%, estimativa que, apesar da melhora, ainda permanece acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta de inflação perseguida pelo governo.
O que diz o comunicado do Banco Central
No comunicado que acompanhou a decisão, o Copom afirmou que o atual cenário de incerteza demanda serenidade e cautela na condução da política monetária, deixando em aberto os próximos passos do ciclo de cortes. “Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o colegiado.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem acima da meta perseguida pelo Banco Central, situando-se em 4,9% e 4,3%, respectivamente. Já a projeção de inflação do próprio Copom para o primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante atual da política monetária, está em 3,2% no cenário de referência. O comitê também destacou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados do que o usual, com assimetria voltada para cima.
O ambiente externo foi citado como fonte adicional de incerteza. O Copom apontou que a indefinição em torno de conflitos armados no Oriente Médio e as dúvidas sobre os rumos da política monetária em algumas economias avançadas seguem pesando sobre as decisões do colegiado brasileiro. A ata da reunião, que costuma detalhar de forma mais ampla a avaliação do comitê sobre inflação e atividade econômica, está prevista para ser divulgada em 22 de setembro.
Avaliação de analistas e próximos passos
Para o economista-chefe da Pequod Investimentos, Diogo Almeida, a permanência dos desequilíbrios fiscais pode pressionar o câmbio e as expectativas de inflação, o que poderia interromper o ciclo de cortes já nas reuniões de novembro e dezembro. Por outro lado, segundo o analista, uma eventual melhora na percepção do mercado sobre as contas públicas teria efeito baixista sobre a curva de juros, abrindo espaço para novas reduções.
Já o gestor de carteira do Banco Sofisa, Rafael Pastorello, ponderou que, apesar do corte anunciado, a cautela do Banco Central em relação aos próximos movimentos indica que o ritmo de flexibilização pode se tornar mais lento nas reuniões seguintes. Segundo o Boletim Focus, o mercado projeta a Selic encerrando 2026 em 13,75%, caindo para 12% em 2027, 10,50% em 2028 e 10% em 2029, o que sugere apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual ao longo do restante deste ano, segundo as expectativas atuais.
Depois do encontro de setembro, restam ainda duas reuniões do Copom em 2026, marcadas para os dias 3 e 4 de novembro e para 8 e 9 de dezembro. Até lá, o mercado deve acompanhar de perto a divulgação de novos índices de inflação, os dados do mercado de trabalho, o desempenho da atividade econômica, a evolução do câmbio e as próprias expectativas dos agentes financeiros, fatores que devem balizar a magnitude dos próximos movimentos da taxa básica de juros.
Impacto para consumidores e empresas
A redução da Selic tende a baratear o crédito para pessoas físicas e jurídicas ao longo dos próximos meses, o que pode impulsionar setores sensíveis a financiamento, como o de bens duráveis e o imobiliário. Ainda assim, mesmo com as sucessivas quedas dos últimos meses, o patamar da taxa básica permanece elevado o suficiente para manter a atratividade dos investimentos em renda fixa, o que deve continuar pautando as decisões de alocação de investidores nos próximos meses.
Para o consumidor final, o efeito de um corte de juros costuma ser sentido de forma gradual, à medida que bancos e financeiras repassam a redução para as taxas cobradas em empréstimos, financiamentos e cartões de crédito. Especialistas do mercado financeiro recomendam cautela na leitura do movimento, já que o próprio Banco Central reforçou não haver compromisso com novos cortes automáticos nas próximas reuniões, condicionando os passos seguintes à evolução do cenário econômico corrente.
Fontes:
- https://www.poder360.com.br/poder-economia/copom-reduz-selic-para-1375-ao-ano/
- https://www.infomoney.com.br/economia/banco-central-copom-decisao-selic-16092026/
- https://www.opovo.com.br/noticias/economia/2026/09/16/copom-faz-quinto-corte-de-025-ponto-percentual-e-selic-vai-a-1375.html
- https://www.dgabc.com.br/Noticia/4347352/copom-reduz-taxa-selic-em-0-25-ponto-porcentual-para-13-75-ao-ano

